Vaias, denúncias de violência e cancelamento de show: o que aconteceu com a Big Up em SC
Episódio ganhou repercussão após publicação de vídeos por Luciano Hang
Banda Big UP - Foto: Fê Castelani - Publicado em 29 de maio de 2025 no portal RollingStone
Um show da banda Big Up, realizado na noite de sexta-feira (2), na Praia Brava de Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina, terminou em confusão após manifestações feitas por integrantes do grupo no palco. A apresentação foi interrompida diante das vaias do público, e os músicos deixaram o local antes do fim do show.
De acordo com vídeos que circularam nas redes sociais, o clima mudou durante a execução da música Paraíso. No refrão, que diz “Quem vive no paraíso se alimenta da pobreza do inferno”, um dos músicos repetiu a frase ao microfone e, em seguida, fez um questionamento de cunho social, afirmando que “poucas pessoas têm muito mais do que precisam, enquanto muitas não têm nem o básico para viver”.
Após a fala, parte do público reagiu com vaias e gritos pedindo que a banda deixasse o palco. Em outros registros, também é possível ver gestos e manifestações políticas associadas ao debate nacional, o que intensificou a reação da plateia e levou à interrupção da apresentação.
Banda relata agressões e hostilidade após deixar o palco
Horas depois do episódio, os integrantes da Big Up usaram as redes sociais para se manifestar. Em um vídeo publicado no Instagram, os músicos afirmaram que a situação extrapolou a discordância de opinião e se transformou em violência.
Segundo o relato, além das vaias, houve agressões após a saída do palco. “Fomos apedrejados, tomamos latada, tomamos pedra. Nossa equipe foi acuada, nosso equipamento foi danificado, e nossas namoradas e familiares também passaram por momentos de tensão”, afirmou um dos integrantes.
O grupo destacou que não é a primeira vez que se apresenta na região Sul e que Santa Catarina sempre teve um público expressivo para a banda, citando Florianópolis como uma das cidades onde concentram muitos ouvintes.
“A gente não está falando sobre vaias. Isso faz parte. Estamos falando sobre violência”, reforçou o músico.
Repercussão cresce após postagem de Luciano Hang
O episódio ganhou ainda mais visibilidade após o empresário Luciano Hang, dono da rede de lojas Havan, publicar vídeos do momento das vaias em seu perfil nas redes sociais, no dia 4 de janeiro. Na legenda, Hang criticou o posicionamento da banda e afirmou que o grupo teria “cantado no lugar errado”.
Após a publicação, a banda afirmou ter recebido um aumento significativo de ataques virtuais, incluindo ameaças direcionadas aos músicos, familiares e fã-clubes.
“Quando os vídeos foram repostados, os ataques se intensificaram. Isso incentivou ainda mais o ódio contra a gente”, disse o grupo em pronunciamento.
Show em Garopaba é cancelado por segurança
No dia seguinte ao episódio em Itajaí, a Big Up anunciou o cancelamento do show que estava marcado para sábado (3), em Garopaba. Em nota oficial, a banda informou que a decisão foi tomada por “motivos graves de segurança”, após o recebimento de ameaças.
“O cancelamento visa preservar a integridade do público, da equipe e dos artistas”, diz o comunicado.
O show aconteceria no bairro Morrinhos, no espaço Mormaii da Praia, e contaria também com músicos do projeto Matula.
Debate sobre arte, política e limites
Na publicação feita no Instagram no dia 6 de janeiro, os integrantes da Big Up afirmaram que nunca imaginaram viver uma situação como essa “por fazer música”. No texto, a banda reforçou que sua trajetória sempre foi marcada por mensagens de amor, respeito e liberdade, e que a democracia pressupõe diálogo e pluralidade.
“Vaias fazem parte. Violência, não”, diz um trecho da nota.
O caso dividiu opiniões nas redes sociais. Enquanto alguns usuários criticaram a mistura entre música e política, outros saíram em defesa da banda, condenando qualquer tipo de agressão e destacando a liberdade de expressão artística.
QUEM É A BIG UP
Formada em 2015, a banda Big Up é composta pelos músicos Gabriel Geraissati, Lucas Pierro e Ras Grilo. O grupo surgiu de forma independente e lançou seu primeiro EP, Guia, em 2016, com cinco faixas autorais, incluindo o single Xangô. Desde então, a banda construiu uma trajetória ligada à música autoral, mensagens sociais e espirituais, com forte presença no reggae e na música alternativa brasileira.

Carlos Eduardo Gomes
Atuação focada em rádio, televisão e comunicação cultural. É repórter, produtor e empreendedor de mídia independente.













