Mano Sapo lança “De sk8 tô no flow” e reafirma identidade independente no rap underground
Produzida, escrita e interpretada pelo próprio artista, faixa conecta rap, skate e vivência de rua
Arte gráfica da faixa disponibilizada pelo artista
O MC e produtor Mano Sapo lança nesta sexta-feira (23) a música “De sk8 tô no flow”, uma faixa autoral que une rap, freestyle e referências diretas à cultura do skate. Produzida integralmente pelo artista, a música reforça sua atuação no rap underground e sua relação direta com a vivência de rua.
Conhecido por uma trajetória independente, Mano Sapo se define como um artista que utiliza o rap como ferramenta de expressão e posicionamento. Suas letras partem da experiência pessoal, da observação social e da realidade da quebrada, sem recorrer a personagens ou fórmulas comerciais.
“Eu represento a rua de verdade, sem filtro e sem personagem. O rap, pra mim, é ferramenta, não é só entretenimento”, afirma.
Freestyle como ponto de partida
O processo criativo de Mano Sapo parte, na maioria das vezes, do freestyle. Segundo ele, a construção das músicas acontece de forma espontânea, a partir da relação imediata com o beat e da gravação no próprio momento da criação.
Lançar freestyle já é algo natural pra mim. Escuto o beat, deixo me envolver e começo a rimar já gravando. Se eu gosto do que saiu, eu lanço.
Esse método, segundo o artista, permite preservar a naturalidade do flow e a energia do momento, características que ele considera centrais em sua estética musical.
Skate, rap e memória afetiva
Em “De sk8 tô no flow”, a relação entre música e esporte aparece como elemento estruturante da faixa. O skate surge tanto como prática cultural ligada ao hip hop quanto como experiência pessoal do artista, que associa o esporte à trilha sonora do rap.
“Sempre andei de skate ouvindo rap. Nos meus rolês, isso sempre esteve junto”, diz.
Além do skate, a música também dialoga com o surf e com o clima do verão, sustentada por um beat boom bap acelerado. Para o lyric visual, Mano Sapo recorreu à estética do desenho Rocket Power, referência direta à infância e à cultura urbana dos anos 1990 e 2000.
Primeira experiência nessa estética
Embora já tenha lançado outros freestyles anteriormente, o artista afirma que esta é a primeira vez que trabalha essa combinação específica de estética, temática e ritmo.
Boom bap é a vertente que eu mais gosto, mas nessa vibe foi a primeira vez. Curti o resultado e quero fazer mais sons assim

Produção musical e controle criativo
Além de MC, Mano Sapo também atua como produtor musical. Ele assina integralmente o beat e a construção sonora da faixa, algo que, segundo ele, faz parte de um processo que vem sendo desenvolvido ao longo dos anos.
“Sempre gostei de hip hop e, quando comecei a aprender produção, tive facilidade. Nesse som fui responsável por tudo”, afirma.
O artista ressalta, no entanto, que outros trabalhos contam com a colaboração de parceiros e coletivos, como a CBC A Banca e a Utrem Produções, reforçando a importância do trabalho coletivo na sua trajetória.
Cena local e independência em Laguna
Sobre a cena do rap em Laguna (SC), Mano Sapo avalia que o movimento segue ativo, ainda que com poucos MCs visíveis. Para ele, a independência sempre foi uma escolha, tanto artística quanto estrutural.
Nunca fui de tentar verba da prefeitura ou projetos assim. Sempre fiz o corre independente
Com estúdio próprio, o artista diz conseguir viabilizar parte dos custos de produção, como gravações e videoclipes, mantendo autonomia criativa.
Questionado sobre tendências para 2026, Mano Sapo prefere destacar a importância da originalidade.
“Pode vir muita coisa nova, mas o original sempre vai ser o original. Cada MC tem sua identidade”, conclui.

Carlos Eduardo Gomes
Atuação focada em rádio, televisão e comunicação cultural. É repórter, produtor e empreendedor de mídia independente.













