Putologia Avançada: Musicologia do Funk
Tese de doutorado de Thiagson, defendida na USP, propõe uma ruptura com o eurocentrismo da teoria musical e coloca o funk no centro do debate acadêmico.
Thiagson durante participação na CPI dos Pancadões (16/10/2025) no Plenário 1º de Maio (Câmara Municipal de São Paulo). Foto: Reprodução do perfil de Thiagson no Instagram
Defendida em 2024 na Universidade de São Paulo (USP), a tese de doutorado Putologia Avançada: Musicologia do Funk, de Thiago Barbosa Alves de Souza (Thiagson), tornou-se uma das pesquisas mais provocativas já produzidas sobre o funk brasileiro no campo da musicologia. O trabalho parte de uma crítica direta à formação musical tradicional, apontada pelo autor como estruturalmente eurocêntrica e pouco aberta às estéticas sonoras produzidas nas periferias.
Ao utilizar o termo “putologia” como estratégia conceitual e política, Thiagson tensiona a separação entre o saber acadêmico legitimado e os conhecimentos construídos nas quebradas. A tese propõe tratar o funk como música eletrônica, digital e dançante, analisando sua complexidade rítmica e tecnológica a partir de metodologias pouco usuais na academia, como a engenharia reversa de beats em softwares de produção musical.
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Além da análise técnica, o trabalho revisita a história do funk sob uma perspectiva crítica, questionando narrativas oficiais e discutindo subgêneros como o proibidão e a chamada “putaria de vilão” a partir de seus significados sociais e políticos. A pesquisa também se destaca por assumir a posição do autor como sujeito periférico dentro da universidade, defendendo uma produção de conhecimento comprometida com a utilidade social e com o diálogo fora dos muros acadêmicos.
Putologia Avançada funciona como um espelho incômodo para a própria universidade, ao exigir que a teoria musical repense seus critérios de legitimidade e passe a reconhecer o funk como parte central da cultura contemporânea brasileira. Em entrevista ao programa Coé da Gig, o autor resume essa perspectiva:
Eu costumo dizer que, através do funk, eu consigo olhar a universidade com estranhamento. Quando a gente leva o funk como tema de pesquisa, a gente leva a periferia para dentro da universidade, e isso começa a expor uma série de problemas
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Tese disponível neste link: Putologia Avançada: Musicologia do Funk


Carlos Eduardo Gomes
Atuação focada em rádio, televisão e comunicação cultural. É repórter, produtor e empreendedor de mídia independente.











