Os melhores álbuns de rap de 2025: o ranking do Barraco Rap
O rap em 2025 foi marcado por retorno às raízes e amadurecimento artístico. Entre lançamentos aguardados, discos conceituais e obras atravessadas por vivência, crítica social e espiritualidade, o ano entregou alguns dos trabalhos mais consistentes da década.
Para construir este ranking, o Barraco Rap fez um apanhado do que foi publicado em portais especializados, veículos culturais, rankings de crítica, redes sociais e plataformas de streaming, cruzando repercussão, impacto cultural e qualidade artística. A proposta não é unanimidade, mas curadoria com identidade, citando as fontes que ajudaram a desenhar esse retrato.
Top 10 – Melhores Álbuns de Rap Nacional em 2025
1. Don L – Caro Vapor II: Qual a forma de pagamento?
Liderança quase unânime nas listas de fim de ano. O TMDQA! elegeu o disco como o melhor de 2025, destacando Don L como um cronista do Brasil contemporâneo, capaz de reorganizar samba, baião, funk e rap dentro de uma lógica própria, sofisticada e política.
2. Emicida – Emicida Racional Vol. 2: Mesmas Cores e Mesmos Valores
Um retorno às origens sem soar nostálgico. Segundo o TMDQA!, o álbum transforma luto, memória e reconexão em matéria artística potente, dialogando diretamente com o legado dos Racionais MC’s e reafirmando o peso histórico de Emicida.
3. Stefanie – Bumni
O primeiro álbum solo da rapper alcançou o 3º lugar no ranking nacional do TMDQA!, sendo descrito como uma obra de maturidade, herança e permanência. Um disco autobiográfico, denso e elegante, que consolida Stefanie como uma das vozes mais importantes do rap brasileiro atual.
4. Ajuliacosta – Novo Testamento
Também pelo TMDQA!, o álbum ficou na 4ª posição. A obra equilibra boom bap e trap, funcionando como manifesto pessoal e coletivo. O portal São Lourenço Pop Rock já apontava Ajuliacosta como uma das artistas mais autênticas de sua geração, tanto na música quanto na postura empreendedora.
5. BK’ – Diamantes, Lágrimas e Rostos Para Esquecer
Considerado pelo TMDQA! o trabalho mais ambicioso da carreira de BK’, o álbum ocupa o 5º lugar no ranking nacional. A crítica destaca o uso consciente de samples e a construção de uma narrativa que transforma memória pessoal e história da música brasileira em reflexão honesta.
6. Baco Exu do Blues – Hasos
Com nota 9.7 no Music Non Stop, o disco foi descrito como uma obra profundamente ligada a processos terapêuticos, com versos abertos a múltiplas interpretações. Um trabalho de autoconhecimento, fragilidade e intensidade emocional.
7. FBC – Assaltos e Batidas
O Music Non Stop chamou o disco de “paulada” e o TMDQA! destacou a atualização do boom bap dos anos 90 com uma mensagem política urgente. Um retorno direto, agressivo e consciente ao rap de confronto.
8. Thaíde – Corpo Fechado – Mente Aberta
Após oito anos sem álbum solo, Thaíde voltou com um trabalho que reafirma o rap como compromisso. Avaliado com 4 estrelas, o disco equilibra engajamento, brasilidade e novas sonoridades, sem abandonar os valores que moldaram sua trajetória desde os anos 1980.
9. Ebony – KM2
Lançado em maio de 2025, o álbum foi elogiado pela Rolling Stone Brasil por sua abordagem íntima sobre adolescência, identidade e saúde mental. Com faixas que circularam na Viral Brasil do Spotify, Ebony apresentou um dos projetos mais sensíveis e contemporâneos do ano, misturando rap, funk, eletrônica e pop.
10. Xamã – Fragmentado
Mesmo ocupando a 20ª posição na lista do TMDQA!, o disco entra no Top 10 do Barraco Rap por sua relevância artística. Fragmentado reafirma Xamã como um artista disposto a tensionar formatos e narrativas dentro de um rap cada vez mais plural.
Menções Internacionais: retornos, maturidade e legado
No cenário internacional, 2025 foi o ano da reafirmação das lendas:
Clipse – Let God Sort ’Em Out
Eleito pela Billboard Brasil como o melhor álbum do ano, o retorno após 16 anos foi celebrado pela química intacta da dupla sob produção de Pharrell Williams. O Hip Hop Golden Age destacou o disco como afiado e introspectivo.
Kendrick Lamar – GNX
Com quase 3 bilhões de streams, segundo a Rolling Stone Brasil, o álbum foi descrito como uma carta de amor à Costa Oeste e um tributo contemporâneo ao hip hop de Los Angeles.
Little Simz – Lotus
A Billboard descreveu o disco como mais cru e humano. Já o TMDQA! ressaltou a troca da grandiosidade por uma abordagem mais franca e visceral.
Freddie Gibbs & The Alchemist – Alfredo 2
Celebrado pelo TMDQA! pela paleta soul/jazz e pelo lirismo afiado, o disco reafirma uma das parcerias mais consistentes do rap atual.
O que 2025 nos diz sobre o rap?
Entre rankings de crítica, debates no Reddit e números de streaming, 2025 mostrou um rap menos preocupado com fórmula e mais atento à memória, identidade e tempo. Um mosaico onde veteranos, artistas consolidados e novas vozes coexistem, cada um trazendo seu fragmento de realidade.

Carlos Eduardo Gomes
Atuação focada em rádio, televisão e comunicação cultural. É repórter, produtor e empreendedor de mídia independente.














