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Da ponte pra cá: a dissertação que revelou o hip-hop da outra Florianópolis

Atualizado em 07/01/2026 às 18:01, por Carlos Eduardo Gomes.

A foto é uma imagem gerada por inteligência artificial que mostra a ponte Hercílio Luz (cartão postal de Florianópolis) ao fundo. Em primeiro plano, rapazes fazem rima em uma roda parecida com uma batalha de rimas.

Imagem gerada por IA

POR QUE O BARRACO RAP ESTÁ INDICANDO UMA DISSERTAÇÃO?

Porque nem todo conhecimento nasce no estúdio ou no palco. Alguns nascem na escuta atenta, no corre de ônibus em ônibus, no respeito por quem vive a quebrada. Em 1998, enquanto Florianópolis era vendida como “Ilha da Magia”, uma pesquisadora foi direto onde quase ninguém queria olhar: as periferias, os jovens pretos, o rap, o grafite e a dança como formas de resistência e sobrevivência.

Essa dissertação de mestrado, assinada por Angela Maria de Souza, é um clássico escondido. Não viralizou, não virou livro famoso, mas antecipou debates que seguem atuais até hoje na cena hip-hop.

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O RAP COMO VOZ DA OUTRA CIDADE

A pesquisa mostra que, em Florianópolis, o hip-hop nunca foi só estética ou entretenimento. Ele nasce como denúncia. As letras analisadas no estudo escancaram o racismo estrutural, a violência cotidiana, a corrupção política e o abandono histórico das periferias. O rap vira ferramenta de conscientização, um jeito direto de narrar uma cidade que não aparece nos cartões-postais.

A dissertação desmonta o mito da cidade integrada. A ponte separa dois mundos: o da vitrine turística e o da sobrevivência. O rap nasce exatamente nesse lado invisibilizado. Política, polícia e mídia aparecem como partes do mesmo jogo. O rap incomoda porque fala o que o sistema não quer ouvir, e nunca quis abraçar. “O sistema não gosta de rap porque o sistema nunca vai abraçar o movimento”. Calça larga, boné, referência ao basquete e ao subúrbio não são moda vazia. São linguagem, identidade e protesto visual que reforçam o que já está sendo dito nas letras.

INFORMAÇÃO É MUNIÇÃO

Um dos pontos mais fortes do trabalho é mostrar que, no hip-hop, estar informado é questão de sobrevivência.
Quem sabe mais, se protege mais.
O microfone vira arma simbólica.
A letra, munição.

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“A televisão nunca foi colorida nem preto e branca. A televisão sempre foi branca.”

POR QUE LER ISSO AGORA?

Porque muita coisa que parece “nova” já estava sendo debatida há mais de 25 anos. Porque memória também é resistência. E porque entender o passado fortalece a cena no presente. Resgatar essa dissertação é impedir que a história do hip-hop no Sul seja apagada, distorcida ou contada só pelo mercado. Uma leitura essencial para MCs, DJs, grafiteiros e b-boys/b-girls, produtores e articuladores culturais, pesquisadores que querem ouvir a periferia e também por quem entende o rap como cultura, política e vivência

O hip-hop de Florianópolis, como mostra essa pesquisa, é um espelho quebrado: não reflete a cidade bonita dos guias turísticos, mas revela as rachaduras que o sistema sempre tentou esconder.

Ler essa dissertação hoje é se armar de memória.
E no rap, memória sempre foi poder.

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LEIA AQUI - NESTE LINK - O Movimento do RAP em Florianópolis: a Ilha da Magia é só da ponte pra lá!


Carlos Eduardo Gomes

Atuação focada em rádio, televisão e comunicação cultural. É repórter, produtor e empreendedor de mídia independente.